Una I esso parte
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Vou escrever

Vou escrever
Vou escrever, por que falar está engasgado na garganta.
Vou escrever porque me disseram que não era possível
Vou escrever até quando me faltar os dedos
(ainda assim escreverei com a alma de poeta)
Vou escrever até quando o sol parar de nascer
até quando a última árvore do bosque for cortada
até quando a lua chorar estrelas de solidão
Ainda assim, escreverei com mais paixão
Vou escrever nas entranhas de meu silenciar
vou escrever a forma que o rio consegue se agigantar
quando a pedra lhe barra e o homem lhe castra
mesmo assim prossegues sem nunca cessar
(Minha pena não há de parar!
Minha escrita não há de sumir!
Minha alma não há de calar!
Meu pensar não há de partir)
Vou escrever até que digam para eu parar
(e mesmo assim, não pararei)
Vou escrever em protesto contra mim mesma
(talvez assim, algo de mim eu conheça)
Vou escrever até não conseguir mais ler
até não saber mais decifrar
até não mais saber o que é viver
(e talvez, só assim, hei de realmente entender)
O que as palavras brotam, mas não contam
O que as palavras gritam, mas não escuto
O que as palavras choram, mas não as enxugo
(e que por sarcasmo poético, apenas anulo)
Rangele Guimarães
posted by Ártemis at Terça-feira, Novembro 30, 2010
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