Una I esso parte
domingo, 26 de dezembro de 2010
Na plataforma do meu quarto

(Quem nunca teve um canto de fuga, que atire a primeira pedra!).
Vou andando pela casa, olho um livro, leio um jornal, o calor me faz ficar na frente de um ventilador... Penso em fazer algo, mas muito gostaria de nada também fazer... Penso em ver tv, talvez um seriado, comédia, ou até mesmo um anime, mangá... Sei lá... A grande frustração do escritor não é quando a pena cessa, é justamente pelo contrário, é quando esta pena insiste em escrever palavras confusas até mesmo para a sua própria mão. A tristeza de um palhaço pode ser pintada em um quadro, mas são nas palavras que ele, secretamente escrever em seu diário, que está o decifrar de sua existência... Eu escrevo como um palhaço, muitas vezes aumentando o causo, mas todas elas de alguma forma, juntas dizem um pouco de mim, do que eu sou, penso, ou o que quero fazer ou não da vida...
Sinto-me neste final de ano como todos os outros finais de ano: uma parte de mim ficando para trás, em palavras e ações, outra nascendo... Temo a cada novo nascimento, pois nunca sabemos do que realmente somos feitos... Hoje em dia temo o abraço e o carinho, temo a incerteza do caminho, mas por algo muito maior continuando levantando todas as manhãs. E cá estou eu, deixando apenas meus dedos digitarem incansavelmente... E um título que pode nada ter a ver com o que escrevo, agora talvez faça algum sentido...
A plataforma do meu quarto sustenta o cansaço de todos os cortes que já sofri, os pedaços que já perdi, e por alguma mágica é esta mesma plataforma que "me recria" a cada ano novo...
(O ano pode ser novo, mas todos nós no fundo, somos feitos de retalhos).
Rangele Guimarães
posted by Ártemis at Domingo, Dezembro 26, 2010
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