Una I esso parte
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Milagre?

Milagre?
Voltei
Voltei a escrever
Voltei a sonhar
Voltei para acreditar
Consegui
Consegui apenas cauterizar
As marcas das lanças
De dor que me cravaram
Prossegui
Prossegui contrariando tudo
Todos...
Prossegui sem medo (e com medo)
(até mesmo das flores)
E hoje estou aqui...
Esperando algum milagre
Que caia dos céus
Em forma de chuva.
Rangele Guimarães
Voltei
Voltei a escrever
Voltei a sonhar
Voltei para acreditar
Consegui
Consegui apenas cauterizar
As marcas das lanças
De dor que me cravaram
Prossegui
Prossegui contrariando tudo
Todos...
Prossegui sem medo (e com medo)
(até mesmo das flores)
E hoje estou aqui...
Esperando algum milagre
Que caia dos céus
Em forma de chuva.
Rangele Guimarães
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
And so it is...

E a gente até tenta, tenta não lembrar, não pensar, não sentir falta, saudades... E a gente finge desesperadamente que a vida continua, que estamos progredindo, que a faculdade está dando certo, que estão te dando o valor... E a gente acredita que isso vai nos manter, que isso vai nos erguer, que isso nos fará sermos mais fortes, mais decididos, mais firmes, mais maduros. E a gente começa a perceber que não é bem assim, que uma cicatriz, mesmo nas costas, onde você não consegue ver, esta cicatriz de alguma forma sempre vai demonstrar que está lá. E dói, e como dói. E a gente continua lutando, continua acreditando em sabe se lá o que, nós, apenas prosseguimos. Quisera apenas voltar a ser aquela criança que só se preocupava com o horário de brincar, de comer, de ser amada pelos pais. Quisera voltar ao tempo e dar uma de Peter Pan, quisera, apenas quisera parar num tempo onde ainda não tínhamos nenhuma marca. As marcas são boas? Dizem. Os livros de auto-ajuda e as frases também dizem tantas e tantas coisas... E estamos aqui, caminhando, indo adiante, mesmo que este adiante sempre seja aquele adiante que no agora, o agora só é composto por uma palavra: Saudade.
Rangele Guimarães
Rangele Guimarães
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Data difícil
Difícil como se a alma estivesse sendo arrancada do meu corpo... Difícil de se respirar, de se imaginar, de se sentir... Difícil até é uma palavra branda em relação do que realmente tenho por dentro, a dor, a perda, o inevitável momento em que passa uma data, e esta data de tantos significados... Eu não posso dizer que estou bem... Eu não posso dizer que desisti, ou que desisto. Não, eu não posso... Não posso apenas viver um dia após o outro, não posso apenas deixar rolar, eu não sou assim. Dói, apenas isso, dói. Dói a saudade, dói as datas, dói a vida, a dor constante é pior do que a dor que passa, ou que dizem que um dia vai passar. Eu mesma me privei de sentir dor pois precisava não sentí-la para poder apartar as dores dos outros, mas agora, agora tudo dói mais e ninguém pode reirar esta dor de mim. Podem falar as palavras que forem, mas não vai adiantar... Eu quero apenas sentar no asfalto, na rua, na beira do Rio Guaíba e desabar... Permitam-me desabar sem me perguntar o pq da queda. E por favor, nao me digam que estão preocupados comigo, pois meus sentidos rebatem e quando percebo que vão sentir pena, se preocupar, eu recoloco todo o peso do mundo nos ombros, abro um sorriso e insisto em fazer todos felizes... Por hoje, por agora, permitam-me apenas largar a armadura, em silêncio e sentir pela primeira vez o que sinto... É difícil, é a vida, é a dor.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Corram para as colinas!
O Léo da comunidade Teóricos do Absurdo vive repetindo isso: "corram para as colinas!" quando alguém vem com um absurdo, ou para satirizar mesmo alguma coisa ou alguém. No meu atual momento, uma grande parte minha adverte: CORRAM PARA AS COLINAS! Todos, sem exceção nenhuma! Minhas idéias estão refletindo, repercutindo e se explodindo dentro de minha cabeça... É aquela vontade absurda e sem comparação de sair correndo no mundo e gritando, sabem? Já sentiram isso? Esta inconstância toda? Esta produtividade sem produto, esta necessidade sem troca, este sentimento que transborda no peito, na alma e escorre pelos dedos.
Ando fora de mim ultimamente... E ao mesmo tempo nunca estive tão certa de tantas coisas, e esta certeza, quando realmente a temos, assusta, derruba e nos supera. A faculdade sempre me fez reviravoltas na cabeça, este semestre mais ainda, conceitos que já tinha, saberes que fui adquirindo ao longo desta jornada, se misturam com um pessoal meu que achava ser inatingível. E todos dizem, perguntam: Da onde tu vens? Para aonde tu vais? De onde eu vim não sei ao certo, para aonde irei é uma grande incógnita da vida. Não existem respostas, existem possíveis rumos... Sei que não quero ser mais uma na educação física, pois já não queria ser apenas mais uma pessoa no universo. Desde cedo extrapolei todas as conversas tidas, todos os debates, mesmo que este debate não seja algo que consiga expressar em palavras faladas no dia a dia... Extrapolo então, na escrita. E permitam-me fazer isso mais uma vez, e outras tantas, até que não haja mais como digitar, e ainda assim contornarei mundos para que eu possa me expressar. Eu sei o que quero, como chegar é uma saudável dúvida.
Consigo fazer links que agora, na sociedade atual, podem ser links inimagináveis. Consigo fazer relações sobre atividades físicas para deficientes, promoção do esporte e da saúde, com SUS por exemplo. Mas dai pera-lá né dona Rangele! Até pode, sim, claro, não é algo tão aberrativo (e creio q acabo de criar esta palavra) assim... Algumas coisas existem, mas o que falo é de estudos. Literatura, compreendem? De que adianta fulano de tal fazer e acontecer, se ele não escreve? Se ele não publica? Se ele não dissimina este saber? Eu sei que quero pesquisar sobre motivação paradesportiva... Quero saber como um atleta deficiente conseguiu chegar lá, como ele ganhou a medalha que carrega orgulhosamente no peito (mesmo que o Brasil não tenha orgulho disso), quem foi que o motivou para chegar lá, e qual o papel que teve o educador físico nisso... Mas dai o porém a pergunta que se junta: este "acesso" foi pago? Ele teve que se esforçar muito por algo que é de seu direito? O SUS implantou a EFI dentro de seu quadro de equipes, as NASFs estão ai, mas... As NASFs um dia terão a capacidade para promover e motivar o esporte de forma igualitária a quem quer um dia ser este atleta paraolímpico? Não precisamos ir tão a fundo, não tô imaginando a loucura do SUS ser uma máquina reprodutora de atletas, longe disso! Quero a semente, apenas isso. A semente plantada, o acesso inicial, o dizer: Você pode! Todos podemos! Estamos contigo! Para que um dia, nem que seja o mais distante dia, o orgulho seja de todos e não apenas daquele que provavelmente metade do caminho percorreu sozinho e pagando por serviços para conseguir chegar lá.
Céus, preciso parar! Vou surtar!
Agradeço a todos que disseminam o querer pensar mais... Aos professores, colegas, às pessoas que sem querer tropeçamos na rua, ao atendente do bar, às gurias da limpeza, aos amigos de longas datas que me aturam, aos amigos que nunca vi, a quem por um gesto tão sem signficado para alguns, mas que para mim, este gesto possa ter mudado o meu mundo e minha visão de mundo. Agradeço à família por também me aturar... E agradeço à todas as pessoas que lutam e desbravam campos antes tidos como inatingíveis.
Ando fora de mim ultimamente... E ao mesmo tempo nunca estive tão certa de tantas coisas, e esta certeza, quando realmente a temos, assusta, derruba e nos supera. A faculdade sempre me fez reviravoltas na cabeça, este semestre mais ainda, conceitos que já tinha, saberes que fui adquirindo ao longo desta jornada, se misturam com um pessoal meu que achava ser inatingível. E todos dizem, perguntam: Da onde tu vens? Para aonde tu vais? De onde eu vim não sei ao certo, para aonde irei é uma grande incógnita da vida. Não existem respostas, existem possíveis rumos... Sei que não quero ser mais uma na educação física, pois já não queria ser apenas mais uma pessoa no universo. Desde cedo extrapolei todas as conversas tidas, todos os debates, mesmo que este debate não seja algo que consiga expressar em palavras faladas no dia a dia... Extrapolo então, na escrita. E permitam-me fazer isso mais uma vez, e outras tantas, até que não haja mais como digitar, e ainda assim contornarei mundos para que eu possa me expressar. Eu sei o que quero, como chegar é uma saudável dúvida.
Consigo fazer links que agora, na sociedade atual, podem ser links inimagináveis. Consigo fazer relações sobre atividades físicas para deficientes, promoção do esporte e da saúde, com SUS por exemplo. Mas dai pera-lá né dona Rangele! Até pode, sim, claro, não é algo tão aberrativo (e creio q acabo de criar esta palavra) assim... Algumas coisas existem, mas o que falo é de estudos. Literatura, compreendem? De que adianta fulano de tal fazer e acontecer, se ele não escreve? Se ele não publica? Se ele não dissimina este saber? Eu sei que quero pesquisar sobre motivação paradesportiva... Quero saber como um atleta deficiente conseguiu chegar lá, como ele ganhou a medalha que carrega orgulhosamente no peito (mesmo que o Brasil não tenha orgulho disso), quem foi que o motivou para chegar lá, e qual o papel que teve o educador físico nisso... Mas dai o porém a pergunta que se junta: este "acesso" foi pago? Ele teve que se esforçar muito por algo que é de seu direito? O SUS implantou a EFI dentro de seu quadro de equipes, as NASFs estão ai, mas... As NASFs um dia terão a capacidade para promover e motivar o esporte de forma igualitária a quem quer um dia ser este atleta paraolímpico? Não precisamos ir tão a fundo, não tô imaginando a loucura do SUS ser uma máquina reprodutora de atletas, longe disso! Quero a semente, apenas isso. A semente plantada, o acesso inicial, o dizer: Você pode! Todos podemos! Estamos contigo! Para que um dia, nem que seja o mais distante dia, o orgulho seja de todos e não apenas daquele que provavelmente metade do caminho percorreu sozinho e pagando por serviços para conseguir chegar lá.
Céus, preciso parar! Vou surtar!
Agradeço a todos que disseminam o querer pensar mais... Aos professores, colegas, às pessoas que sem querer tropeçamos na rua, ao atendente do bar, às gurias da limpeza, aos amigos de longas datas que me aturam, aos amigos que nunca vi, a quem por um gesto tão sem signficado para alguns, mas que para mim, este gesto possa ter mudado o meu mundo e minha visão de mundo. Agradeço à família por também me aturar... E agradeço à todas as pessoas que lutam e desbravam campos antes tidos como inatingíveis.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Receita de ano novo

Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Felicidades a todos os meus amigos, que me acompanham aqui, ou ali, ou até mesmo de onde não sei... Felicidades neste ano que está para se (re)iniciar... Que a página aparentemente em branco possa ser preenchida de paz e satisfações, mas desejo a todos também problemas, que se resolvam e que com isso possam crescer ainda mais como pessoas... E agradeço ao ano que se passa, por ter me deixado marcas, cicatrizes eternas, mas porém, são cicatrizes que sei que não teria conseguido superar sem pessoas como vocês ao meu lado, é um aprendizado que jamais hei de esquecer.
FELIZ ANO NOVO A TODOS!
Beijos
Rangele, Gele, Blueboleta, Àrtemis e tantas outras dentro de mim mesma...
domingo, 26 de dezembro de 2010
Na plataforma do meu quarto

(Quem nunca teve um canto de fuga, que atire a primeira pedra!).
Vou andando pela casa, olho um livro, leio um jornal, o calor me faz ficar na frente de um ventilador... Penso em fazer algo, mas muito gostaria de nada também fazer... Penso em ver tv, talvez um seriado, comédia, ou até mesmo um anime, mangá... Sei lá... A grande frustração do escritor não é quando a pena cessa, é justamente pelo contrário, é quando esta pena insiste em escrever palavras confusas até mesmo para a sua própria mão. A tristeza de um palhaço pode ser pintada em um quadro, mas são nas palavras que ele, secretamente escrever em seu diário, que está o decifrar de sua existência... Eu escrevo como um palhaço, muitas vezes aumentando o causo, mas todas elas de alguma forma, juntas dizem um pouco de mim, do que eu sou, penso, ou o que quero fazer ou não da vida...
Sinto-me neste final de ano como todos os outros finais de ano: uma parte de mim ficando para trás, em palavras e ações, outra nascendo... Temo a cada novo nascimento, pois nunca sabemos do que realmente somos feitos... Hoje em dia temo o abraço e o carinho, temo a incerteza do caminho, mas por algo muito maior continuando levantando todas as manhãs. E cá estou eu, deixando apenas meus dedos digitarem incansavelmente... E um título que pode nada ter a ver com o que escrevo, agora talvez faça algum sentido...
A plataforma do meu quarto sustenta o cansaço de todos os cortes que já sofri, os pedaços que já perdi, e por alguma mágica é esta mesma plataforma que "me recria" a cada ano novo...
(O ano pode ser novo, mas todos nós no fundo, somos feitos de retalhos).
Rangele Guimarães
Coisas de Ano Novo
Permita-me caro leitor, amigo de longas datas ou não.
Permita-me apenas debulhar-me em gotas de palavras
Como lágrimas a escorrer pelos meus dedos...
Permita-me óh todos os santos e deuses da loucura
que neste ano meus desejos, não sejam realizados
(momento de extrema loucura do escritor?)
Peço-te ainda que, ao não realizá-los, possam surgir outros
e a roda da minha vida continue abastecida de querer
Pois chega um momento que cansamos de caminhar
Eu, por hora quero apenas descansar
em alguma sombra do meu passado (ou presente)
Então... Permita-me apenas ao luxo dos poucos (e loucos)
de esquecer que o tempo não para
de esquecer que a vida é tão clara
como um floco de neve que nunca vi...
Permitam-me, pois bem, escrever muito
sem nada dizer...
Deixar entrelinhas tão camufladas...
Que ninguém possa achar...
Mas por favor, desta vez, neste novo ano
Permita-me apenas pode gritar
(e que meu grito a algum lugar possa chegar)
Rangele Guimarães